Por Raphaela Nicácio
“O tradutor não deve se esconder atrás do texto original. O tradutor deve se livrar com um golpe de asa do autor, deve se livrar dele como se fosse um vestido molhado depois de uma chuva de trabalho”, afirmou o escritor e tradutor italiano Francesco Luti que enfrenta há muitos anos, com leveza e destreza de um pássaro, a difícil arte da tradução.
Natural de Florença, Itália, Luti, 37 anos, traduziu diversos poetas contemporâneos de línguas espanhola, portuguesa e catalã; a exemplo do uruguaio Mario Benedetti; os brasileiros Lêdo Ivo, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Lucila Nogueira; e os espanhóis: Ángel González, Carlos Bousoño, Claudio Rodríguez e Jaime Gil de Biedma. Todos traduzidos para a língua italiana. “Este é o grande poder da palavra poética: chegar à alma da pessoa disposta em aceitá-la”, enfoca.
Em entrevista, Francesco Luti revela detalhes sobre sua experiência e interesse pela tradução, o estudo que fez do escritor mineiro Guimarães Rosa em sua tese de mestrado, as dificuldades e dilemas que os tradutores literários enfrentam e o aprendizado que obteve ao traduzir autores de diversas nacionalidades, além de aconselhar escritores que pretendem traduzir suas obras para outras línguas.
Como escritor, iniciou aos 19 anos com o livro
Profili. Em 2006, editou seu primeiro romance Millepiedi e hoje se prepara para publicar o seu novo romance
Le ceneri di Guadalajara (Las cenizas de Guadalajara) que tem como cenário histórico a Espanha dos anos 60 da ditadura franquista. “Os espanhóis estão interessados na obra. Espero que também no Brasil possa ser traduzida”, informa.
- Formado em Letras e Direito, como surgiu o seu interesse pela tradução?
O interesse pela tradução surgiu espontaneamente. Iniciei a escrever muito jovem, aos 17 anos já colaborava com dois jornais e ainda estudava. Nas minhas primeiras viagens pela Europa, Espanha, comprava livros na língua original e comecei logo a me interessar pela versão em italiano do que estava lendo. As primeiras traduções foram de amateur, amador. Eu mostrava aos meus amigos especialistas de poesia e professores. O que me fez continuar foi o fato de elas serem consideradas muito boas, pois eram feitas por um jovem apaixonado pela literatura sem nenhuma experiência. Isso me deu coragem para continuar, e pouco a pouco fui publicando em revistas, até mesmo edições. Tive a sorte também de ter contar com pessoas da área que me criticavam, dando conselhos. Isso foi só o começo...
- O fato de ter iniciado seu trabalho, na literatura, como tradutor, contribuiu para se tornar um escritor?
A “prática do traduzir” sempre foi para mim colateral ao ofício de escritor, e por isso é uma ginástica fundamental que ajuda na minha cansativa e desesperada procura de idioma e estilo. Aprofundar nossa língua, através de uma língua estrangeira é um exercício insubstituível. Vivemos uma época em que todos querem escrever e poucos desejam traduzir, desprezando este aprendizado o que é para mim essencial para se tornar um escritor.
- Para ser um bom tradutor é preciso ser ou se tornar um escritor?
Acho isso necessário, sobretudo na poesia. O tradutor deve ser algo de poeta porque a poesia é um gênero literário muito especial onde o ritmo, a métrica e a sensibilidade têm um papel relevante. Na hora de traduzir um poema, considero o mais importante ter o domínio da poesia do que da língua que você está traduzindo. É preciso ter lido muitos poetas na nossa própria língua, e temos que também respeitar a nossa tradição poética. A língua italiana, por exemplo, começou já no século XIII com Dante. Essa tradição se desenvolveu com estilos e características diferentes. Um bom tradutor deve saber isso, e deve saber aplicá-lo na hora de deixar ao leitor, no meu caso o leitor italiano, um resultado final na sua língua que seja um “original”, que não se note que é uma tradução.
- Há inúmeros casos de escritores que começaram traduzindo, por exemplo, Cesare Pavese que traduziu Melville e James Joyce; Primo Levi tradutor do livro “O Processo” de Franz Kafka e Italo Calvino com a tradução de Les Fleurs bleues de Quenau...
Realmente há muitos exemplos de escritores que começaram traduzindo. No caso dos italianos, temos que dar graças aos escritores como Calvino, Vittorini e Pavese, e ao intenso trabalho deles como tradutores. Com suas traduções, foi possível ter os primeiros grandes nomes da literatura da língua inglesa como a famosa antologia de contos, Americana, organizada pelo Vittorini nos anos 40 que apresentou Faulkner, Hemingway, escritores ainda não presentes nas livrarias italianas.
Também poderemos falar do prêmio Nobel Eugenio Montale, grande poeta que traduziu muito, especialmente Shakespeare e Thomas Stearns Eliot que, na época, traduziu o próprio poeta Montale na sua revista "Criterion". Mas aquela era uma época onde a tradução era feita por grandes profissionais e pessoas da alta cultura que contribuíram muito com a divulgação da literatura em um período onde os contatos eram feitos somente por cartas.
-O tradutor que também é escritor é propenso a se influenciar com as obras que traduz?
Eu não diria se influenciar. Agora é claro que a experiência do que você traduz, fica marcada de alguma maneira no tradutor e na hora que se escreve como um autor, quem sabe leva consigo, na mala, alguns dos seus autores... .
-Até que ponto a criatividade do autor se complementa ou se contrapõe a do tradutor?
São dois processos de criatividade parecidos, porém não são iguais. O tradutor é autor no ato de inventar a língua final, somente nessa fase final, pelo menos é isso que acontece comigo.
- O senhor já sofreu esse tipo de influência em seus textos?
Creio que em meus textos não há muito dos autores que traduzi. Talvez alguma intertextualidade, como uma forma de homenagem. Acho que são mais os escritores lidos que podem deixar uma marca no autor. Mas sempre se continua aprendendo com os outros livros... Enfim, um escritor aprende continuamente da vida e de tudo o que está ao seu redor. É como uma criança que descobre as primeiras coisas...
- Edward Fitzgerald, poeta e hispanista inglês do século XIX, que traduziu do persa para a língua inglesa o famoso poema “Rubáiyát”, de Omar Khayyám de Naishápur, afirmou que o tradutor literário enfrenta o seguinte dilema: “produzir uma águia empalhada ou um pardal que voa”. Um tradutor deve respeitar a riqueza lingüística do texto, mesmo sendo pouco legível, ou deverá facilitar a compreensão do conteúdo correndo o risco de perder a grandiosidade, a beleza do original?
É muito difícil teorizar sobre esse assunto. Cada tradutor tem sua linha e sua maneira de se enfrentar ao texto. Para mim o resultado final é o que importa. Há muitos idiomas no mundo, mas traduzir não deve ser somente interpretar um significado local, nacional, da palavra. Creio que traduzir poesia é, sobretudo, interpretar um significado universal, é sentir aquele idioma da alma, sendo capaz de falar a todos do mesmo modo. Este é o grande poder da palavra poética: chegar à alma da pessoa disposta em aceitá-la.
- O senhor afirmou que “o tradutor não deve se esconder atrás do texto original. O tradutor deve se livrar com um golpe de asa do autor, deve se livrar dele como fosse um vestido molhado depois de uma chuva de trabalho”. Ao traduzir uma obra, também se sente um co-autor? Até que ponto um tradutor pode ter uma co-autoria sem trair o original?
Um tradutor é um autor, sem dúvida. Até pelas leis internacionais ele é equiparado e respeitado como o autor, sendo protegido também pelo copyright.
Agora dizer que tudo o que se traduz tem o nível do original, isso já é outra coisa... No meu caso, com minha dedicação à poesia, com todas as horas sentado a estudar totalmente um autor, e depois, de golpe, (sim de asa) esqueço-o. Acho que me sinto autor do que traduzo, sem dúvida.
Mas traduzir é também praticar um exercício de estilo, uma busca interpretativa, sobretudo, é um ato de amor, porque tem que se transferir e entrar por inteiro em outra personalidade, surpreender o poeta em sua intimidade, vê-lo de pijama com suas qualidades e defeitos. É uma espécie de visita diária em sua casa através de uma simples leitura que não se pode cumprir.
- A tradutóloga alemã, Critiane Nord, desenvolveu um modelo de tradução para orientar os tradutores. Seria a “tríplice lealdade” entre o autor do original, o leitor da tradução e com quem encomendou a tradução. Preocupar-se com esses elementos na hora de traduzir seria o ideal? Como um tradutor poderá ter a sensibilidade em captar o estilo do autor sendo fiel aos originais?
Cada teórico tem sua teoria... Eu acho que o sistema, como pelo menos eu o vejo, tem 4 pontos. Como, por exemplo, é o caso da grande tradução que Edoardo Bizzarri fez da obra de Guimarães Rosa. Nós temos esse quadro:
a- a língua brasileira
b- a língua brasileira de João Guimarães Rosa
c- a língua italiana
d- a língua italiana de Edoardo Bizzarri
A primeira ligação, naturalmente, é aquela entre A e C ou seja, entre a língua brasileira e a língua italiana. A segunda ligação é entre B e D, a língua brasileira de João Guimarães Rosa (C), e a língua do tradutor (D). Na minha opinião são quatro situações que existem na tradução literária das línguas. Isso me faz lembrar de como muitas vezes o tradutor conseguiu enriquecer a língua italiana com o seu código pessoal tipicamente relacionado ao exótico do original. Outro exemplo específico que lembro nessa tradução mostra como Bizzarri conseguiu efeitos de maior relevância:
Texto original (Buriti, pág. 915)
Havia uma paz, que era a paz da Casa. Surgia-lhe que o casarão sempre contara com sua vinda, fizesse imenso tempo que a aguardava.
Texto italiano: (Burití, pág. 87)
C'era una pace, che era la pace della Casa. Le venne l'idea che quella grande costruzione avesse sempre contato sulla sua venuta, l'aspettasse da un tempo immenso.
Aqui, nota-se o espelho virado com a inversão do adjetivo:
Immenso: adjetivo posposto
imenso: adjetivo anteposto
É assim que o Bizzarri consegue a espacialidade do tempo como se fosse infinito. O tradutor chega a conservar o original com uma inversão sintática. O jogo feito pelo Bizzarri é mais ou menos o seguinte: qual é a dimensão fônico-sintática das duas palavras? A palavra “imenso” colocada no final teria chocado com a continuação da frase em português. Ao finalizar a frase com “immenso”, Bizarri consegue um “color” original. Se tivesse terminado com a palavra “tempo”, o período teria tido um choque com a (mp).
- Conhecer a cultura, a poética, a bibliografia, do autor do texto é importante para se fazer uma tradução fidedigna? Como seria o seu processo de trabalho?
No processo de tradução é importantíssimo fazer uma densa pesquisa, levantar a história da obra, toda a crítica e acima de tudo ter um conhecimento mais profundo da língua poética em questão. Quando se chega a essa fase nós tradutores podemos começar a recriar,
reinventar a língua do autor.
- Em seu recente livro “Quase a Mesma Coisa - Experiências de Tradução”, Umberto Eco analisa as problemáticas das traduções. É possível dizer a “mesma coisa” que é dita no texto original ou o “quase” é uma constância na tradução?
Quando o tradutor se depara com diversos autores de lugares e experiências distintas, é muito freqüente esse tipo de conflito. Continuo pensando que não há uma regra geral. Cada caso tem que ser analisado sob uma nova ótica.
- Ao falar sobre sua experiência em traduzir o poeta espanhol Claudio Rodríguez, o senhor afirmou que “O nível lingüístico de Claudio Rodríguez não é de fácil acesso porque se encontra estritamente ligado a uma alta qualidade e ao mesmo tempo é capaz de expressar uma profunda dimensão simbólica onde domina a espera do que se deve realizar e de algo que chegue a aclarar o íntimo sentido da vida”. O senhor teria um método para traduzir poemas? Ou quais os requisitos ideais para uma boa tradução?
Não existe um método específico. Tudo é um conjunto de estudo, experiência, sensibilidade, inteligência e prática. O bom tradutor deve ter todos esses instrumentos e saber coordená-los. Isso só acontece depois de vários anos e também quando se aprende com os erros de cada dia.
- O poeta uruguaio Mario Benedetti, o brasileiro Lêdo Ivo e os espanhóis Ángel González, Carlos Bousoño e Pere Gimferrer já foram traduzidos pelo senhor. Quando traduz autores vivos, estabelece contato com eles? Como se desenvolve a relação de amizade entre o autor e tradutor?
Sim, estou e estive em contato com eles, pelo menos com quase todos. Com alguns até chegamos a ser amigos: conversarmos de futebol, das coisas da vida como com qualquer outra pessoa... Às vezes os visito; jantamos juntos... Além de também conversarmos sobre a tradução que estou fazendo. Eles têm confiança no meu trabalho e me dão total liberdade, na hora de eu trabalhar. Estou certo que esses contatos geralmente me ajudam a esclarecer dúvidas, porém eu prefiro perguntar menos possível para não quebrar o encanto da poesia: a poesia às vezes é secreta...
-Desses autores quais foram os que se tornaram seus amigos? Que lembrança o senhor guarda deles?
Eu, geralmente, com todos tenho um bom relacionamento. Com alguns a simpatia é forte, apesar da distância. É o caso do Lêdo Ivo. Grande afeto sinto por Mario Benedetti, Angel González, Francisco Brines. Com Brines, de vez em quando, nos visitamos... Eles são anciões. Já com as gerações mais jovens, nos falamos também por e-mail...
- Ao traduzir escritores de diversas nacionalidades, quais foram os maiores aprendizados?
Essas traduções me ajudaram a conhecer a vida e os costumes de diversos lugares do mundo, inclusive viajar. O tradutor deve ler muito, conhecer o país da tradução em questão, saber como a população da região pensa, principalmente ter amigos daquele país que não tenham relacionamento com a poesia.
- Por que ter amigos que não tenham se relacionado com a poesia?
Eu acho que as pessoas que não são do mundo da literatura, podem acrescentar coisas que depois você sem querer, querendo, aplica a literatura.
- Como o senhor vê a tradução feita em demasia dos best sellers?
Isso não é literatura, é só comercio! A literatura verdadeira, aquela que eu amo, é feita com sacrifícios, com horas de trabalho, com cuidado e amor. A dos best sellers vejo como fabricada, mais que criada.
- Sua tese de mestrado foi um estudo do escritor mineiro Guimarães Rosa. Como foi esse trabalho?
Minha tese estudava a tradução feita pelo Bizzarri ao italiano das obras de Guimarães Rosa. Foi uma linda experiência estudar e escrever sobre o “laboratório” de uma tradução tão difícil como aquele que Edoardo Bizzarri fez do Guimarães Rosa. Estudar a correspondência, a história daquela amizade intelectual e artística, os momentos de grande participação, foi para mim uma grande lição. Uma imensa compenetração entre dois personagens de alto nível, e profunda humanidade. Lembro a carta que Bizzarri entregou com as últimas correções e disse:
Tomo a bênção Mestre Guima
E o Guimarães Rosa respondeu em outra carta:
Possante, no aspecto físico, uma beleza. Li-o, todo, devorado meticulosamente. Deslumbrado. Linha por linha, eu entrava, sem sair, em outro, grato[...] Sua tradução é fabulosa. [...] Você é um MONSTRO. Você entrou em todas as células do livro, arejando-o sem o amarrotar, trazendo-lhe vida e «rugiada». (Carta escrita em 16 dezembro, 1964)
- Conhecido pelos seus neologismos, o escritor Guimarães Rosa reinventou a língua. A tradução também pode contribuir para um novo léxico, ampliando e renovando a língua? Na sua opinião, essa interferência pode ser benéfica?
Sim, claro, pode ser uma contribuição relevante.
- Da região Nordeste o senhor traduziu Lêdo Ivo e Lucila Nogueira. A linguagem dos nordestinos o cativou?
Sim, gosto muitos dos nordestinos e daquela fala tão especial. Foi interessante para mim entrar naquela atmosfera. Eu tenho grandes lembranças das minhas estadias no Nordeste e dos contatos que fiz. O Nordeste é o meu Brasil, mais que outra parte.
- Diversos clássicos da literatura são retraduzidos a cada 20 ou 30 anos para uma linguagem atual. O senhor é a favor da modernização de um texto ou prefere que se mantenha a beleza arcaica do original?
Essa é uma ótima pergunta. Às vezes não me convenço de que é melhor mudar (modernizar) ou deixar para que se veja como se escrevia. É uma situação difícil. Costumo ler as duas traduções. Faço um exemplo: O Dom Quixote em italiano tem duas traduções clássicas e uma moderna feita pelo poeta Vittorio Bodini. As clássicas são engraçadas porque ali o Quixote fala como fala um homem do seu tempo. Mas naquela de Bodini percebo o que fez esse grande tradutor, não foi traduzir, mas reescrever o Quixote, e no caso dele se saiu muito bem.
- Para um escritor que pretende traduzir os seus textos, qual o conselho que o senhor daria? Vencer os limites geográficos é possível, diante da forte concorrência do mercado editorial?
Trabalharia tranqüilo. Aconselho ter o maior cuidado possível e fazer esse trabalho com paixão. Precisa se apaixonar pelo texto e se não gostar, então não faça...
- Recentemente o senhor concluiu um romance que começou a tomar notas há três anos. Como foi esse trabalho? Pretende também traduzi-lo em outras línguas?
Sim acabei de escrever meu segundo livro. O primeiro, Millepiedi, é um romance que tem muito haver com a minha infância e adolescência, além de também falar sobre a amizade e de como as pessoas podem mudar no tempo. O livro estava dentro de mim há muito tempo e precisei de 4 verões para acabá-lo. Publiquei-o em 2006, tendo concluído já em 2004. Este ano, 2007, escrevi o meu último romance na Espanha o Le ceneri di Guadalajara (Las cenizas de Guadalajara) que foi um trabalho muito duro porque fazia anos que eu estava recolhendo o material.
É um livro com um cenário histórico que eu não conhecia, os anos 60 na Espanha da ditadura franquista. Na novela, os personagens são verdadeiros alguns fazem parte do grupo dos intelectuais que ajudaram a Espanha a sair da ditadura cultural, com o objetivo de conseguir democracia, liberdade, na literatura. O protagonista é um italiano que vive na Espanha e foi deixando uma Itália que naquela época era um país muito mais desenvolvido que a Espanha. Ele mudou de país para descobrir como exatamente morreu seu pai na famosa batalha de Guadalajara na Espanha. O pai participou do combate de 1937, ajudando as Brigadas Internacionais, contra outros italianos, os fascista enviados pelo Mussolini. Foi interessante documentar essa história. Os espanhóis estão interessados na minha novela e espero que também no Brasil possa ser traduzida.
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Raphaela Nicácio é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural na Unicap, designer e produtora cultural
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