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Livros demais
 
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Máua, Jaboatão dos Guararapes (PE) · 9/2/2009 · 94 votos · 3
“Livros de mais – Ler e publicar na era da abundância”, de autoria do poeta mexicano Gabriel Zaid.

Na coluna “A Vida dos Livros”, publicada no site do Centro Nacional de Cultura de Portugal, o escritor, professor e presidente do CNC, Guilherme d’Oliveira Martins, traduz e comenta a obra de Zaid. Uma estupenda contribuição para todos os envolvidos no processo de produção literária.

- Um trecho:

“A importância dos livros num momento em que se verifica um estranho paradoxo, que obriga a uma séria reflexão: o negócio frenético da edição faz nascer um livro de trinta em trinta segundos, exatamente quando há quem ponha dúvidas sobre o futuro do livro no confronto com as novas tecnologias, em especial a Internet, e com o primado quase absoluto da imagem sobre a escrita. Há, assim, um ponto de partida inquietante, que é o motivo do ensaio agora traduzido em português: “A leitura de livros cresce aritmeticamente e a escrita cresce exponencialmente, se a nossa paixão pela escrita não for controlada, num futuro próximo haverá mais gente escrevendo livros do que lendo”.

- Mais adiante ele escreve:

A GRAFOMANIA UNIVERSAL - Quem escreve? Quem contribui para esta situação? De um lado, os que não escrevem para o público, mas sim para o seu currículo. E de outro, os que escrevem para o mercado e conseguem sucesso. Constituem exceções: os velhos clássicos dignos de ser relidos e os contemporâneos cientes de que essa tradição deve ser seguida.

- Uma matéria 10. Nota 10.

(Fonte: Centro Nacional de Cultura – CNC.pt)


tags: Jaboatão dos Guararapes PE literatura livros recife pernambuco


 
Eu já havia percebido ese "fenômeno", que cresce abastecido pela vaidade humana

Zacarias Martins · Gurupi (TO) · 9/2/2009 08:56
Isto me lembra Schopenhauer que já no século XIX, em seu aforismo § 6 de "Sobre a leitura e os livros", escreveu:
"Segundo Heródoto, Xerxes chorou ao contemplar seu exército inumerável, pesando que em cem anos nenhum daqueles homens ainda estaria vivo. Quem nãso sentiria vontade de chorar, à vista dos grossos catálogos editoriais, se pensasse que, de todos aqueles livros, já em dez anos não haverá nenhum vivo."
O que diriaele se vivesse hoje? Fato é que neste século XXI a grande maioria dos livros já nasceram mortos.

Viegas Fernandes da Costa · Blumenau (SC) · 9/2/2009 23:45
É vero, Zacarias. É um fenômeno tão presente nos catálogos, que deixou de ser fenônomeno.

Viegas, também me lembrei de Schopenhauer quando li esta matéria. Ele foi duro com os autores alemães: "os que escrevem para esta geração e os que escrevem para a posteridade".

Obrigado pelos aportes.

Máua · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 10/2/2009 09:05
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