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Héber Sales, Salvador (BA) · 20/2/2009 · 112 votos · 11
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O Kindle 2, novo leitor de e-books da Amazon

Bacana o novo leitor de e-books da Amazon, o Kindle 2. Deve vender ainda mais do que a primeira versão, mas... ainda não o quero, muito obrigado. Prefiro este aqui, da Plastic Logic. Ele é touchscreen. Como os livros sempre foram, percebem? E com méritos adicionais: aguentam tombos, torções e até água ou café. Fica o borrão, o engilhado, mas isto tem lá o seu charme, não é? São marcas de uma relação íntima, privada, pessoal.

Usar teclado para folhear, anotar e apontar texto não me proporciona a mesma experiência de ler um livro. Pelo contrário, me lembra trabalho. Talvez funcione para livros técnicos (isto é, trabalho), mas não me imagino lendo O Livro das Ignorãças numa geringonça dessas. Para começar, pela textura. A capa do volume é rugosa e macia, num tom pastel. Lembra o toque de uma pele, ou de folha, ou de flor. Tem uma presença corpórea própria. Ao tocá-lo, é como se eu estivesse na presença do autor ou de uma criatura dele, viva. Quase ouço a sua voz nos versos. Ainda na capa tem uma gravura colada, como uma foto num álbum impresso. Parece que foi ele mesmo que grudou a coisa. É um artesanato.

Isso para não falar nas Memórias Inventadas, do mesmo Manoel de Barros, que vem numa caixa, as folhas soltas mantidas juntas por uma fita com laço, ilustradas por desenhos da filha dele. É um troço muito pessoal, um tête-a-tête, uma sensação que não consigo imaginar nem no produto da Plastic Logic. E como todos nós sabemos (ou deveríamos saber), o marketing é mais uma batalha de percepções contextualmente dependentes do que de produtos.

Vamos fazer assim. Posso até ler matérias curtas de revistas, jornais e blogs nos novos gadgets. Livros técnicos e apostilas também (será muito produtivo armazenar anotações, referências cruzadas e poder buscá-las rapidamente). Mas o Manoel de Barros, o João Cabral de Melo Neto, o Machado de Assis e os outros da turma, eu vou encontrá-los em livros de papel bem desenhados, na sombra, com água fresca, talvez uma lápis para marcar frases geniais, e uma rede para me balançar. Estamos combinados?

Leia também: Kindle, por Rubem Fonseca.

tags: Salvador BA literatura leitor-de-livros-eletronicos marketing-editorial editora kindle livraria e-book


 
Boa, Héber. Não experimentei um livro eletrônico ainda, mas eu imagino que ele seria útil nessa linha que tu propõe. Quem sabe para os livros técnicos ele seja uma beleza, poder buscar palavra-chave, termo, nota, salvar trecho, fazer anotação, etc. Diferente de você, não considero isso trabalho, no sentido de algo ruim, em oposição à leitura em si. Mas, enfim, entendo seu ponto.

Denis Pedroso · São José dos Pinhais (PR) · 19/2/2009 19:56
Escrevi um artigo sobre isso hoje:

http://livroseafins.com/2009/02/20/jorge-luis-borges-gostaria-do-kindle/

Abraços!

Alessandro · Curitiba (PR) · 20/2/2009 16:23
muito bem, Heber. muito bom. é boom mesmo essa coisa toda. eu ainda prefiro ficar abraçada ao livro.muito mais quente, pessoal e intenso. sem falar que essa ligação é memso cósmica: leitor e livro é coisa de gênio sem lâmpada...lendo sob vela, exercitando o escuro.

Val Freitas · Brasília (DF) · 20/2/2009 18:53
É isso o que eu chamo de marketing planejado! Hahaha...

Natalix · Novo Hamburgo (RS) · 20/2/2009 19:22
Denis, adorarei trabalhar usando o Kindle.

Alessandro, muito boas as citações ao Borges. Pelo que entendi, ele gostaria do Kindle, mas continuaria comprando livros com presença marcante.

Val, para mim, o livro físico proporciona uma experiência única de isolamento, privacidade e reflexão. O Kindle me faria navegar por revistas, blogs e livros. Tá mais para a leitura na internet, não é? As crianças que nascerem na era do Kindle talvez venham a ter outra percepção do Kindle. Vamos ver.

Abraços!

Héber Sales · Salvador (BA) · 20/2/2009 19:46
Meu camarada, muito bacana o texto. Eu, de certa forma, tenho me ocupado em leituras variadas, entre livros de papel e telas de computador. Já estou me habituando a essas tecnologias. As vezes sinto que somos uma geração de transição, que os próximos leitores já terão uma nova relação com essas mídias. Vamos ver. Muito bom o texto ! Abraços!

l. rafael nolli · Araxá (MG) · 20/2/2009 22:20
Caro Rafael, também tenho lido muito na telinha. Abraço!

Héber Sales · Salvador (BA) · 21/2/2009 08:13
Héber
Acho que atualmente eu leio mais na telinha que no papel. Incrível isto.
Belo texto.
Abraço

Nydia Bonetti · São Paulo (SP) · 23/2/2009 21:00
Eu também, Nydia. Mas a experiência de ler um livro no papel é, para mim, outra. Aqui eu navego; lá eu mergulho. Abraço.

Héber Sales · Salvador (BA) · 24/2/2009 10:31
Concordo em tudo c/seu artigo;p/mim,o velho livro de papel é um ícone.Leia meu texto publicado aqui"Revolução na arte da escrita" e d~e sua valiosa opinião.Abraços

Mirokca · Salvador (BA) · 13/11/2009 12:01
Concordo plenamente contigo;vai ser difícil me apartar do livro.E que excelente texto. VotadoAbraços

Mirokca · Salvador (BA) · 21/7/2010 22:05
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