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PARA NÃO MORRER DE FRIO | Abordagem sobre a Poesia Chilena recente
 
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ana rüsche, São Paulo (SP) · 23/10/2008 · 72 votos · 1
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Poquita Fe | Leitura na Biblioteca Nacional | Pablo Paredes e Paula Ilabaca


Poquita Fe | Leitura do carioca Pedro Costa


Poquita Fe | Olímpico, o bar de todas as noites


Poquita Fe | Roberto Echavarren, HH e Yaxkin Melchi


Poquita Fe | Lectura en La Chascona, casa de Pablo Neruda

Você também é rainha? Me pergunta uma poeta argentina com um olho em mim e o outro no amigo mais lindo do mundo que tenho e que se irá. A resposta é simples e perturbadora. Não se dá conta essa menininha do dano que faz com a pergunta, não se dá conta da zona erógena devastada que toca. Estes anos não foram fáceis, simplesmente foram felizes como aniversários raivosos que celebram os meninos pobres uma vez que os pais se embebedaram em outros cômodos. Escrever no 2000 foi uma provocação, nessa década somente restava dançar como sujeitos do mercado, mas Diego Ramírez decidiu converter aos adolescentes caídos em anjos suficientemente voadores para que víssemos a magia subversiva de não estar tocando o solo. Escrever no 2000 foi uma provocação, pois os territórios havia sido cancelados pela Democracia Obesa que nos deu comida crendo que assim de pronto esqueceríamos a fome. No meio disso Gran Avenida de Glayds González instalava uma voz inversa, cuja ternura agora circulava nas margens da vingança. Escrever em 2000 foi uma provocação, em Héctor Hernández Montecinos o gesto não desperdiçou nenhum músculo, ele levantou o primeiro sindicato de órfãos, antes estávamos sozinhos como mães solteiras, agora a tragédia se administra e escreve e desconhecer a presença de HH é desconhecer os olhinhos graves e brilhantes do precioso lobo que oculta o bosque da noite. A escritura de Paula Ilabaca é uma provocação, vê-la tirar pérolas de sua caixa toráxica e musical implica em terminar com a negação do peito, negação que a Democrática Chilena fez com o vigor de uma Ditadura. Abrigo de Felipe Ruiz gira até essa vingança, com Arquero gira nessa Vingança e aí a voz da quadrilha maior, porque já foi dito em outras instâncias, se trata aqui de uma quadrilha muito mais que um cio, portanto, impossível desconhecer a magnitude e a ternura da presença de Raúl Zurita na escritura Novíssima, impossível desconhecer a voz de José Ángel Cuevas e Carmen Berenguer. Quem não vê Soledad Fariña, Malú Urriola, Víctor Hugo Díaz, quem não vê nem lê Bruno Vidal entre nossa escritura, dificilmente entendeu o terremoto do 2006 sobre a miserável cidade de Santiago. Não estamos sozinhos, nem errados, o jornal faz uns dias traz um artigo intitulado assim. Uma jornalista de Las Últimas Noticias me chama para saber se iremos queimar o Morro de Santa Lucía e eu não entendo como não vê as chamas de Brian, como não vê o Fogo Paralelo. A Poesia Chilena Atual foi incendiada. A poesia chilena atual se divide em bombeiros e piromaníacos.

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PARA NO MORIRSE DE FRÍO
Acercamiento a la Poesía Chilena reciente.


Vos también sos reina? Me pregunta una poeta argentina con un ojo en mí y otro en el amigo más lindo del mundo que tengo y que se irá. La respuesta es simple y perturbadora. No se da cuenta esta chiquilla del daño que hace con la pregunta, no se da cuenta de la zona erógena devastada que toca. Estos años no han sido fáciles, simplemente han sido felices como cumpleaños rabiosos que celebran los niños pobres una vez que los padres se han emborrachado en las otras habitaciones. Escribir en el 2000 fue una provocación, en esa década sólo quedaba bailar cómo sujetos del mercado, pero Diego Ramírez decidió convertir a los adolescentes caídos en ángeles suficientemente voladores como para que le viéramos la magia subversiva de no estar tocando el suelo. Escribir en el 2000 fue una provocación, pues los territorios habían sido cancelados por la Democracia Obesa que nos dio comida creyendo que así de fácil olvidaríamos el hambre. En medio de eso Gran Avenida de Gladys González instalaba una voz inversa, cuya ternura ahora circulaba en los márgenes de la venganza. Escribir en el 2000 ha sido una provocación, en Héctor Hernández Montecinos el gesto no ha desperdiciado ningún músculo, él ha levantado el primer sindicato de huérfanos, antes estábamos solos como madres solteras, ahora la tragedia se administra y escribe y desconocer la presencia de HH es desconocer los ojitos graves y brillantes del precioso lobo que oculta el bosque de la noche. La escritura de Paula Ilabaca es una provocación, verla sacarse perlas de su caja toráxica y musical implica terminar con la negación del pecho, negación que la Democracia Chilena ha hecho con el vigor de una Dictadura. Cobijo de Felipe Ruiz gira hacia esa venganza, con Arquero gira en esa Venganza y ahí la voz del pandilla mayor, porque ya lo he dicho en otras instancias, se trata aquí de un pandilla mucho más que de un rut, por la tanto, imposible desconocer la magnitud y la ternura de la presencia de Raúl Zurita en la escritura Novíssima, imposible desconocer la voz de José Ángel Cuevas y Carmen Berenguer. Quien no vea a Soledad Fariña, a Malú Urriola, a Víctor Hugo Díaz, quien no vea ni lea a Bruno Vidal entre nuestra escritura, difícilmente ha entendido el terremoto del 2006 sobre la miserable ciudad de Santiago. No estamos solos, ni errados, el diario de hace unos días trae un artículo titulado así. Una periodista de Las Últimas Noticias me llama para saber si vamos a quemar el Cerro Santa Lucía y yo no entiendo cómo no ve las llamas de Brian, cómo no ve el Fuego Paralelo. La Poesía Chilena Actual ha sido incendiada. La poesía chilena actual se divide en bomberos y pirómanos.


Pablo Paredes Muñoz
9 de outubre de 2008, Poquita Fe, Santiago de Chile
tradução e inserção de links por ana rüsche, a qual aceita sugestões e correções de bom grado



tags: literatura poesia chile novissima hector hernandez montecinos paula ilabaca pablo paredes diego ramirez raul zurita carmem berenger


 
Muito obrigado, Ana! Ótimo apanhado, que já salvei aqui, ambos os textos ;)

Denis Pedroso · São José dos Pinhais (PR) · 23/10/2008 14:26
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