Demorou quase dois anos, mas, enfim, o esquema inaugurado pelos ingleses do Radiohead chega ao mercado editorial. Em outubro de 2007, a banda de Oxford lançou seu mais recente álbum,
In rainbows, on-line, dando a opção para que cada um pagasse o quanto quisesse pelo disco, entre zero e 99 libras esterlinas. Os downloads ultrapassaram a marca considerável de um milhão apenas no primeiro dia. No começo de 2008, quando o disco chegou às lojas, rapidamente alcançou o topo das paradas nos EUA e na Inglaterra.
Pois bem, chegou a hora dos livros. Apesar de experiências em liberar livros na rede já venham acontecendo há um bom tempo, caso de Stephen King e do nosso Paulo Coelho (este criou um blog onde posta seus livros, além de inúmeras traduções, o
Pirate Coelho), e também de grandes editoras gringas, como a HarperCollins, que ofereceu livros de graça no ano passado, esta é a primeira vez que uma grande editora, a
Faber and Faber, o faz dando a opção de quanto o leitor quer pagar.
Em 27 de abril, o novo livro de Ben Wilson,
What price liberty? (
Liberdade a que preço?, em tradução literal), poderá ser baixado no
site criado especialmente para o projeto. A obra, que trata da agressão às liberdades civis no Reino Unido, escaldada no crescente medo do terrorismo, crime e caos social, chegará às livrarias convencionais seis semanas após o lançamento na rede.
A aposta é que essa divulgação ajude na venda física do livro, assim como aconteceu com o Radiohead. Se levarmos em conta a média paga pelo disco, cada livro deverá ser vendido por algo entre 1 e 3 libras esterlinas. Quando chegar às livrarias, cai custar £ 14,99. Mas a aposta da editora é outra.
Segundo a diretora de marketing da Faber and Faber, Silvia Novak, em entrevista ao diário britânico
Guardian, a expectativa é que aumente as vendas e não as substitua. "O fato do preço do livro eletrônico ainda ser tão alto quanto sua versão impressa poderia empurrá-lo um pouco para cima. Essencialmente, esta é uma experiência, e o preço é uma das variáveis que estamos realmente interessados em observar", completa Novak. Haverá ainda a opção para pagar mais pelo livro após a sua leitura, caso os leitores acreditem que o pagamento original não tenha refletido o valor do livro.
Sempre reticentes quando se trata de tecnologia, as grandes empresas da indústria cultural começam a investigar e testar as infinitas possibilidades que a tecnologia proporciona. Essa não deixa de ser uma instigante opção, sobretudo em tempos de cultura cada vez mais livre.
Por fim, um exercício de futurologia: quanto tempo levará para termos aqui no Brasil iniciativa semelhante?
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