Nós que nunca fomos à Flip ficamos com a salivante ânsia em sentar naquela mesa cheia de escritor gringo, que nem conhece Graciliano e vê o Brasil como um país de orangotangos corruptos ou traficantes e os escritores brasileiros como letrificadores de bunda, carnaval e futebol.
Nós que ficamos brincando de escrever durante todo o ano para chegar de ônibus em Paraty e ficar na fila para comprar... sim, para comprar um ingresso, mesmo mostrando a carteirinha da UBE, e então ver aquele monte de gente feia, enrugada, de sobrancelha antenada, filosofando sobre como sentam o bumbum na poltrona ou com apertam a tecla de travessão do teclado para começar outro parágrafo onde "divagam profundamente" sobre o sentir da exisitência humana.
Nós que não entendemos porque a Flip é feita em Paraty, sendo que a cidade não tem nada a ver com a história da literatura, e sim com a história dos que tanto usufruíram do nosso país no passado, sendo a cidade sede da exportação do ouro, sim, aquele metalzinho brilhante que ofuscou o brilho de tantas famílias que tiveram seus pais usurpados e enterrados na lama do garimpo.
Nós, nós e nós... assim: eu, como curador de dois dias, e o site
Clube de Autores como organizador de todo o evento ao longo dos quatro dias de Flip, e mais um punhado de escritores que você e o
Flavio Moura nunca ouviram falar vamos fazer nossa festa literária numa das casas de Paraty. Sim e sim: a Paraty da Flip e do ouro.
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