"não foi a morte que a cabou contigo: foi a vida"
(Mário Quintana)
Querido Paulo,
Saíamos pouco juntos,
Mas... se a gente saía de fato juntos
A gente costumava chegar bêbados
De nossa companhia
E ler poemas
E cantarolar
E dedilhar no piano
Velhas canções
Variantes
De falares
E sorrisos
Sem falar
Do riso
Falado
E da fala
Gargalhada
Como dançar
Em ritmo frenético
Uma sonata de Mozart
Finalmente
Depois,
Um boa noite
Alucinadamente suado
Embalava sonhos
entre poeiras de corpos
sombreados pela nudez da lua
invadindo nosso quarto.
Pois não é que agora
A teimosia da saudade obtusa
Insiste na perturbadora pergunta:
"Por que durar é melhor que inflamar?"
(Roland Barthes)
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