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Márcio Ibiapina - colaborações publicadas
Fortaleza, CE
16 colaborações
últimas colaborações publicadas  
Banco - CONTEXTO
10/4/2010 10:26 · 46 votos · 5 comentários
As palavras, assim como as pessoas, nunca são por si sós, sempre estão para serem. São por estarem.
O que seria da palavra amar, "verbo intransitivo" cantado em versos mil se não fosse o ser amado, que qualifica e identifica esse amor infinito?
Que seria do ódio se não fosse o que se odeia?
Que seria dos nomes se não fossem as pessoas, os animais, as coisas?
Seriam objetos na...
Banco - Outro Mundo
3/2/2010 18:48 · 62 votos · 8 comentários

A menina correu, com delicadeza, sobre os sinuosos padrões geométricos, em preto e branco, que pavimentavam toda a extensão do passeio ao longo da Avenida Atlântica. Passou pelo banco onde Drummond repousava sossegado e finalmente pousou, como borboleta, no colo do pai, que olhava distraidamente para longe, onde ar e água se separavam apenas por uma tênue linha. Àquela altura,...
Banco - Fragmento de Confissão
29/1/2010 22:36 · 58 votos · 7 comentários
Quando era menino jogava cubos de gelo ao sol somente para vê-los derreter...
E via a água aflorar lentamente da superfície dura e escorrer para o chão à guisa de sangue perdido em grave hemorragia...
Sem direito à transfusão, eu os via se acabarem agonizantes, daquele pequeno ato de crueldade ignorantes.
Agora, adulto, falta-me o verso, mas não o sentimento...
Pois sei que...
Banco - Semeadura
23/1/2010 20:52 · 48 votos · 7 comentários

O futuro túmulo, nem escavado,
Ainda chão, sem mais nem nada,
Seco ou, na chuva, enlameado,
Pasto da grama que brotava,

Por entre os sulcos do cercado,
Como da cerca de uma casa,
Vivia em repouso decantado,
Sem saber o que esperava.

Quando, enfim, tempo chegado
De servir ao que prestava,
O que lhe havia reservado
O destino que mandava.

Não era o algaravio do...
Banco - Soneto (Sem título)
2/11/2009 16:15 · 54 votos · 6 comentários
Se a onda pequena a quebrar
Na rota madeira do cais,
Não fosse também o mesmo mar
Que assombra os desastres navais.

Se a brisa mais leve a soprar
Nas casas por entre os portais,
Não fosse o tornado a girar
Em loucas volutas mortais.

Jamais poderia entender
O tapa que arde na face
Que o beijo chegou a lamber.

Que um mesmo ser comportasse
A vontade de viver
E a...
Banco - Cinco poemas ao gosto do freguês.
15/8/2009 22:51 · 39 votos · 4 comentários
Eis aqui cinco poemas de uma só vez,
como presos libertos do confinamento,
cinco poemas ao gosto do freguês,
neste pequeno menu tosco e de momento:

- Moto-contínuo;
- Escatológico;
- Engodo;
- Cansaço;
- Soneto Matinal.
Banco - GARIMPO
3/8/2009 08:04 · 44 votos · 6 comentários
É tempo de levar para longe
O que há de velho no horizonte
E fazer a prospecção dentro de nós,
Em que a escura noite grita sem ter voz.

Que esse garimpo intestino, de noss’alma
Presa entre escombros de tudo,
Não silencie ante a covardia que acalma
Antes do próximo absurdo.

Redescobrir a gema preciosa no gesto
De acolher a mão que pede como irmã
E reconhecer no olho...
Banco - Aquiles e Tartaruga (ou A Encruzilhada)
29/7/2009 05:14 · 66 votos · 10 comentários
Já não tenho mais o lenitivo da ignorância,
Nem espero imantada genialidade.
Já não creio nos senões que a esperança
Planta aleatoriamente em mocidade.

Estou sempre a meio passo da bonança
E em cada passo surda ansiedade,
Mas se colocar meus passos na balança
Verei que nada caminhei, dura verdade.

Sou como a seta imóvel em cada instante,
Sou como Aquiles perdido entre...
Links - Sonetário Brasileiro
18/5/2009 20:32 · 136 votos · 3 comentários
Um dos mais completos sites sobre soneto do Brasil.
Banco - Reciclagem Humana
9/5/2009 21:05 · 116 votos · 3 comentários
No meio do lixo os homens se acumulam,
Como volumes no meio do monturo,
Como os sacos de lixo lançados no escuro,
Que durante o dia os urubus perfuram.

Essa a cena urbana que perscruto,
Desses seres que no lixo só procuram,
Onde as muitas vidas do mundo se misturam,
Catar as próprias vidas desse entulho.

Para, enfim, passear não mais cativos,
Colher os tenros frutos...
Banco - SONETO EPISTEMOLÓGICO
5/2/2009 09:45 · 121 votos · 6 comentários
SONETO EPISTEMOLÓGICO

É verdade o que contam na rua?
O que bradam com segura confiança?
Que essa certeza que carregam, um tanto crua,
Haverá de penetrar qual fina lança?

E que a janela abrirá, um tanto mansa,
Ante o torvelinho farto de angústia
A revelar a face turva da criança
Misturada a essa força torpe e bruta?

Minha única certeza não descansa
Em berço esplêndido,...
Banco - A ONDA
28/1/2009 10:28 · 112 votos · 2 comentários
A ONDA

Ela é a onda calma,
Repetitiva, infalível,
Que nunca é a mesma onda,
A quebrar na areia invencível.

Mas sempre haverá uma onda,
Sempre haverá, dia a dia,
A quebrar na tempestade,
Sem faltar na calmaria.

Sempre haverá uma onda,
De um coração a partir,
Para outro coração,
A se quebrar e sumir.

Banco - SONETO DA IMORTALIDADE
18/1/2009 18:34 · 89 votos · 2 comentários
SONETO DA IMORTALIDADE

Viver é reinventar-se a cada dia,
É construir o caminho a cada passo,
É o círculo perfeito do compasso:
Em cada ponto termina e principia.

E nesse recomeçar a cada traço,
Lançar-se sem medida, economia,
Deixar questões à vã filosofia,
E replicar em ti o vasto espaço.

Para quando vier a morte, feito aço,
Penetrar-te insondável e sorrateira,...
Links - MIGUEL TORGA 1907 - 1995 - A VOZ DO CHÃO
15/1/2009 07:42 · 101 votos · nenhum comentário
Site da Biblioteca Nacional de Portugal sobre o poeta lusitano Miguel Torga, com destaque para sua biografia e para uma pequena antologia com diversos poemas, de onde trago à lume o poema chamado, justamente, BRASIL.

BRASIL

Brasil onde vivi, Brasil onde penei,
Brasil dos meus assombros de menino:
Há quanto tempo já que te deixei,
Cais do lado de lá...
Banco - Velho Álbum
12/1/2009 13:32 · 84 votos · 5 comentários
Dentro da velha caixa fechada
As fotografias dormem, esquecidas.
Embora eternizados momentos de uma vida,
É memória para sempre aprisionada.

Quantos, quantos instantes são perdidos,
Quanta história, assim, não é contada,
Quantos detalhes se vão pela jornada,
Embora a caminhada sempre siga.

E lentamente, enfim, vão se esgarçando
As lembranças dia a dia emolduradas
No...
Banco - Cegueira
11/1/2009 09:15 · 92 votos · nenhum comentário
Mais um soneto a falar de amor, no caso, de um amor frustrado...
colaborações localizadas 1 a 16 de 16
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