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Edição grátis da novela O Dia do Descanso de Deus de Adroaldo Bauer
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 5/11/2009 17:25 · 23 votos
Janeiro de 2008

Zé Poeta Emociona com a Leitura d'O Dia do Descanso de Deus


A literatura policial, gênero que já foi considerado menor, hoje é sem dúvida um clássico. Quem não se move ante a pergunta: “Quem é o culpado?”.
Nesse caso, a “culpa” é de um processo lento entre o conflito do passado, com a falta de clareza do presente e a intangibilidade do futuro.
Li o Dia do Descanso de Deus, e confesso que me surpreendi. Vi na novela, a determinação de um Ahab na busca pela vingança ao cetáceo que lhe arrancou a perna em Moby Dick.
Vi os detetives e seus ajudantes enfrentando a agrura que é desvendar um mistério. Vi tua fluência ao brincar de esconde-esconde nas idas e vindas do texto. Vi tua ousadia ao revelar (ainda na metade do texto) o culpado, mas escondê-lo mesmo assim de um(a) leitor(a) que vai “compreender” a motivação apenas nas últimas páginas. Vi o ritmo de aventura necessário aos tempos atuais, todavia regado a chimarrão e aquele olhar fraterno, mas não totalmente aberto à primeira estampa, do gaúcho. Vi uma persona que já nasce clássica tal qual o pistoleiro fantasma que volta para a vingança no Outlaw do Clint Eastwood, que é o Romão e seu hábito de cuspir na própria sombra.
Mas, principalmente vi, (e é aí que para mim que o conheço de esguelha) a forma como resolvestes o mistério de escrever um texto moral, nas veias de um militante.
Nunca deixamos de ser o que somos, e no teu caso, isso está no texto. A política é presente sem ser chata. No trânsito das idas e vindas há um signo comum que é a unidade em torno de um compromisso do trio de amigos que sequer o tempo ou o Descanso de Deus, podem abalar. Muitos militantes, picados pela mosca azul do Machado, deveriam entender o que conseguistes “enuviar” em teia de fina ironia e... mistério, célula constitutiva de todo bom policial.
Confesso a grata surpresa, quando beiras o surrealismo em alguns trechos envolvendo o Domício, durante toda a trama, principalmente no final onde parecemos emaranhados numa lógica aparentemente sem sentido.
Além do que o humor, e esse é um traço teu muito forte, naquele olhar maroto quando: “pega a gente de jeito”.
li-o em Cambará do Sul, diante das auracárias no Parque Nacional dos Aparados da Serra e, assim como os pais de Romão, fui longe estender minha rede para encontrar meu interior.
Parabéns pelos mistérios e pela lição de moral aos que traem os sonhos.
Depois, devemos estar atentos ao coma que os olhos verdes e personagens fortes podem causar em nossos fracos corações, principalmente, quando são Divinas as Lauritas.
José Sílvio Amaral Camargo
zehpoeta@gmail.com

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31 Agosto, 2007
Uma crítica de cátedra

Marília Corrêa Machado*


Na novela O dia do descanso de Deus, Adroaldo Bauer apresenta, já na escolha do título, uma proposta intrigante.
Fato que leva, ao leitor mais atento, a certeza de uma boa leitura.
Numa trama que envolve personagens densos e introspectivos, percebe-se no inaugurado escritor uma importante bagagem literária de leitor.
Em sua primeira novela, Adroaldo já demonstra sua veia literária na linguagem do coloquial, do regional, dos fricotes e dos bordões.
O que remete à leitura crítica do registro como resgate de uma “tradição”. Aspecto que ecoa, em verossimilhança, no curso que fizeram os canônicos, tais como Machado, Érico, Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana, João Cabral...
Numa arqueologia do popular.
Contudo, a linguagem do regional é registrada como um legado histórico inscrito na geografia pessoal dos personagens da trama O dia do descanso de Deus.
O local onde se dá a tragédia com Divina, a doce personagem através da qual deriva a novela, é Porto Alegre registrada com afinco e devaneio em meio à nuvem da ditadura de pau-de arara.
Neste espaço e tempo de palavras desterradas, e desterritorializadas pela contemporaneidade, tem-se o prazer de averiguar, com singular empatia, um cotidiano (a)temporal que pertence a todos que dão devida importância à memória, interior e exterior.

Desterro - SC, Inverno, 29/08/07
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* Marília Corrêa Machado é professora, graduada em Artes Plásticas, autora da tese de mestrado em Teoria Literária "O gosto do nunca e do sempre, Um estudo sobre o tempo e o espaço na poesia de Mario Quintana."




02 Setembro, 2007

O dia do Descanso de Deus tira o sossego de leitora

Maria Luiza Oswald

Vida de correria, falta de tempo, exposição constante ao cenário imagético da vida cotidiana...
Quantos são os motivos que nos afastam hoje da ritualidade própria da leitura, que demanda do leitor disposição para se implicar com a “quietude” do livro.
Mesmo sendo amante inveterada de literatura, como não estou imune a este contexto, vinha há algum tempo experimentando a dificuldade de me envolver com este objeto de desejo.
E, diante da culpa por entregar-me ao ócio da leitura que interrompe o ritmo frenético do cotidiano, não hesitava em declinar deste prazer...
Afinal, “Deus ajuda a quem cedo madruga”...
Mas eis que, como que caído do céu, o livro de Adroaldo, que conheci por acaso no Overmundo (bendito acaso!), me devolveu o direito à preguiça.
“O dia do descanso de Deus”. Se Deus descansa, por que eu, pobre mortal, não poderia também descansar?
Mal sabia eu que à preguiça divina sobrevém a insídia pérfida do diabo.
Eu aqui de livro nas mãos deliciando-me com a novela - deixando de lado a rotina escravizante do dia-a-dia – enquanto as criaturas da novela se lascavam num redemoinho de tragédia.
Seria isso justo?
Tanto não seria, que o descanso tão esperado não me foi dado...
Magistralmente fabricada, a trama não me concedeu sossego: a ausência de temporalidade linear exigiu de mim atenção e esperteza; o suspense me deixou tensa; o envolvimento com os dramas das personagens tirou-me o fôlego.
Adroaldo você não me deu descanso e, ainda assim, não me resta outra coisa senão lhe agradecer de coração.
Seu livro me devolveu o que Ítalo Calvino considera como faculdade humana fundamental: a capacidade de fazer brotar - do alinhamento de caracteres alfabéticos negros deitados sobre o papel - a sensibilidade e a imaginação, ingredientes sem os quais a vida não passa de uma página em branco.

Me chamam de Ize.
Mas meu nome é Maria Luiza Oswald.
Sou carioca da gema: nascida, criada e vivida em Ipanema. Ler é uma de minhas predileções. Também gosto de ser professora, profissão que desempenho na Faculdade de Educação e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Fiz o doutorado porque pesquisar é outra coisa que adoro fazer.
E, coerentemente com minha paixão pela leitura, essa é minha área de interesse no campo do magistério e da pesquisa.
Ia me esquecendo de dizer que sou “overmundana” e que essa condição fez de mim o que mais importa nesse perfil: sou leitora de Adroaldo Bauer.



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