Por Ramon Mello*
A abertura oficial 4ª Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, ocorrida na última quinta-feira, 6 de novembro, no balneário Pernambucano, a 60km de Recife, foi marcada pela presença de políticos e intelectuais. A platéia, com aproximadamente 600 pessoas, lotou o auditório do Centro de Convenção Armação II, para conferir a cerimônia.
A aula-espetáculo ministrada pelo escritor e Secretário de Cultura de Pernambuco, Ariano Suassuna, foi um dos momentos mais esperados da noite. Quando Ariano cruzou o salão, acompanhado pelo governador Eduardo Campos, os jornalistas já estavam preparados para fotografar o autor
de O Auto da Compadecida. Comportando-se como uma verdadeira celebridade, o escritor não fugiu dos beijos e palavras de carinho dos fãs.
Antes da famosa aula, políticos e organizadores da Fliporto 2008 discursaram sobre a importância da cultura africana numa festa de literatura e, ainda, homenagearam, com pedidos de aplausos, o recém-eleito presidente americano, Barack Obama.
“Tenho orgulho de realizar um evento que valoriza a cultura dos povos africanos. Temos uma enorme dívida com os irmãos africanos. Não posso perder a oportunidade de elogiar a vitória de Barack Obama na disputa eleitoral
americana. É um sopro de esperança para América e para o mundo”, afirmou idealizador da Fliporto, Antonio Campos.
O presidente interino da Funarte e diretor da Fundação Palmares, Zulu Araújo, a aproveitou a oportunidade para destacar o momento histórico:
“É preciso que o mundo e o Brasil compreendam que a eleição americana não é fruto apenas de um fenômeno midiático, mas sobretudo de 50 anos de políticas afirmativas. A eleição de Obama não pode se resumir ao valor simbólico de sua pele negra.”
Ariano Suassuna, na abertura da sua aula, também lembrou do novo presidente americano:
“Obama terá de enfrentar dificuldades, e não são poucas, eu sei. Mas espero que ele se lembre de que a Amazônia é brasileira”, ironizou Ariano, idealizador do Movimento Armorial, movimento artístico cujo objetivo foi o de valorizar a cultura popular do Nordeste brasileiro, buscando realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do país.
Na platéia, escritores como Ondjaki, Thiago de Melo, José Eduardo Agualusa, Ondjaki e o ganhador do Prêmio Camões 2008, Artur Pestana (mais conhecido como Pepetela):
“Fico feliz com repercussão de um evento que valoriza a África e o Brasil. É fundamental que a América do Sul perceba a importância histórico-cultural do continente africano”, afirmou Pepetela.
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* O jornalista Ramon Mello viajou para a FLIPORTO à convite da organização do Festival.
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