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  <title>Portal Literal - Artigos: Uma lei errada</title>
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  <dc:date>2010-3-12T09:20:58Z</dc:date>
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  <title>Portal Literal - Artigos: Uma lei errada</title>
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  <description>Prezado Ferreira Gullar&lt;br /&gt;&#13;&#10;Certa vez você escreveu assim:&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Traduzir-se&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;é todo mundo:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte é ninguém:&lt;br /&gt;&#13;&#10;fundo sem fundo. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;é multidão:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte estranheza&lt;br /&gt;&#13;&#10;e solidão. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;pesa, pondera:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte&lt;br /&gt;&#13;&#10;delira. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;almoça e janta:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte&lt;br /&gt;&#13;&#10;se espanta. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;é permanente:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte&lt;br /&gt;&#13;&#10;se sabe de repente. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma parte de mim&lt;br /&gt;&#13;&#10;é só vertigem:&lt;br /&gt;&#13;&#10;outra parte,&lt;br /&gt;&#13;&#10;linguagem. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Traduzir uma parte&lt;br /&gt;&#13;&#10;na outra parte&lt;br /&gt;&#13;&#10; que é uma questão&lt;br /&gt;&#13;&#10;de vida ou morte &lt;br /&gt;&#13;&#10;será arte?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Quero acreditar que quem escreveu a coluna deste domingo de páscoa tenha sido apenas uma parte de você. Uma parte que não conhece os enormes avanços que a Reforma Psiquiátrica Brasileira e a lei (à qual você se refere como idiota), puderam fazer na vida e na história dos milhares de familiares e usuários com os quais lidamos no nosso dia-a-dia de trabalhadores da Saúde Mental. Antes desta lei - que não foi daquelas que surgiu de traz da orelha de um cretino qualquer, mas resultado de um processo de mais de 10 anos de discussão, luta, enfrentamentos e negociações - familiares e pacientes tinham no manicômio único modo de ter e oferecer &quot;tratamento&quot; para suas loucuras ou doenças mentais. A mesma parte que desconhece que existem sim em nosso País e em outros: manicômios - com este nome ou com outros mais amenos - que continuam a ferir direitos mínimos aos seus &quot;frequentadores&quot;, manicômios que ainda mantêm pessoas encarceradas por 20, 30 ou mais anos, condenadas à reclusão simplesmente pelo fato de serem doentes mentais.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Não quero acreditar que um poeta sensível como você consiga enxergar na doença de seus filhos somente pessoas dispostas a matar ou morrer quando estão em crise, outra parte de você, certamente, conhece muitas outras facetas e singularidades que só quem convive de perto com a esquizofrenia ou outras doenças mentais pode experimentar. Por isso minha carta é um convite... um convite para que você escute a outra parte de si mesmo e desta história que você conta de maneira rasteira e parcial, uma história que tem lá suas dificuldades e imperfeiçoes (e bem sabe você que num mundo perfeito não haveriam poetas) mas é uma história bonita e legítima e que merece no mínimo respeito. Convido outra parte de você a conhecer um CAPS (ou serviço deste tipo) e escutar o depoimento de usuários e familiares que lá frequentam, e que puderam mudar suas histórias por causa das transformações que esta lei provocou em suas vidas. Uma parte de você também não sabe que a hospitalização, de qualquer natureza, não é mais a única solução para as chamadas crises, existe muito mais a ser fazer...Outra parte de você também ficaria encantado em saber que esta lei contruiu muito mais coisas do que descontruiu, descontruiu os manicômios, mas construiu um sem número de outras possibilidades, dispositivos, formas de tratamento, além de muita arte, música e poesia...Creio sinceramente que quem escreveu este artigo é a parte de você que ainda não conheceu a outra parte da história...então venha conhecê-la, tenho certeza de que nenhuma parte de você irá se arrepender. &lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;saudações antimanicomiais&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;&#13;&#10;Juiz de Fora/MG&lt;br /&gt;&#13;&#10;trabalhadora de CAPS e militante da reforma psiquiátrica brasileira há 12 anos.</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Rita de Cássia</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>Prezado poeta Ferreira Gullar,&lt;br /&gt;&#13;&#10;Venho muito respeitosamente me posicionar diante o artigo publicado pelo senhor no Jornal A Folha de São Paulo. O senhor fala de uma posição de pai de dois filhos. Eu venho lhe falar na condição de um usuário dos serviços de saúde mental (o termo usuário vem com a Lei 8.080 que criou o Sistema Único de Saúde).&lt;br /&gt;&#13;&#10;O movimento do qual eu faço parte, vem desde fins da década de 1970 lutando pela extinção dos manicômios no Brasil, pautado entre outras coisas, pela defesa dos direitos humanos das pessoas que foram internadas por décadas e esquecidas nos manicômios.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Não é verdade que o manicômio conforme descrevíamos acabou. Recentemente o Brasi foi condenado por uma Côrte Internacional devido a morte de um paciente em uma clíunica psiquiátrica.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Os casos de mortes acontecem por todo o país e muitas instituições psiquiátricas não dão as condições mínimas de salubridade a seus pacientes. Lutamos para acabar com este tipo de tratamento e ofertar para esta clientela, um atendimento mais humanizado (conforme preconiza o SUS) onde as pessoas não perdem seus vínculos familiares ou sociais, fazendo a própria comunidade onde ele vive se responsabilizar por aquele sujeito que sofre.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Dentre as ações tomadas, encontram-se os CAPS, os serviços residenciais terapêuticos, a internação em Hospital Geral e CAPS III caso necessário, mais principalmente as ações sócio-culturais na vida destas pessoas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sou fruto deste processo. Através de uma ação cultural denominada TV Pinel, pude amenizar os efeitos da minha internação (que Graças a Deus não passei por eletrochoque e outras medidas agressivas) e venho buscando retomar a minha vida cotidiana com muito esforço.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Não queremos que as pessoas fiquem em casa sobrecarregando os pais. Queremos que o Estado lhes ofereça tratamento digno para que ela possa viver este momento trágico de maneira menos violenta possível.&lt;br /&gt;&#13;&#10;E, ao longo da histório de mais de 200 anos que se repete ainda hoje, o manicômio ou hospital psiquiátrico, conforme o senhor queira, não dá esta possibilidade aos usuários do serviços de saúde mental, fazendo com que os mesmos fiquem rotulados e sofram de estigmas como incapacidade,periculosidade, entre outros. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Por fim, gostaria de convidar o senhor para conhecer melhor os princípios da reforma psiquiátrica brasileira e dizer que ao contrário do que o senhor afirmou em sua matéria, a reforma italiana serve de referência para todo o mundo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Saudações cordiais e antimanicomais,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Edvaldo Nabuco&lt;br /&gt;&#13;&#10;Militante do Movimento de Luta Antimanicomial&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pesquisador do LAPS/FIOCRUZ.</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Edvaldo Nabuco</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>Prezado poeta Ferreira Gullar,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;admirado sua que sou, li com espanto, surpresa e tristeza seu artigo e também prefiro crer que foi escrito por apenas uma parte sua, uma parte que espero que seja bem pequena ou talvez daquelas que nos invadem nos maus momentos, contaminados por ressentimentos ou outras más influências de tantos tipos que hoje se encontram por ai... Espero que seja uma destas &apos;partes&apos; que, todavia,  logo passam e nos permitem reaparecer e voltar a ver e participar do mundo de uma forma menos ressentida e negativa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Trabalho na saúde mental há 20 anos e há 12 também estou no Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Convivi e convivo com  muitos usuários e familiares, acompanhando seu sofrimento e também sua recuperação sua luta por cuidado digno e respeitoso e também sua luta para terem direito à vida, apesar de seu sofrimento e sua diferença. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Muitas famílias sofrem não só por verem um dos seus sofrendo por transtornos mentais, mas também por não conhecerem formas e lugares de cuidado onde se possa encontrar acolhida, respeito, seriedade na oferta de todos os recursos disponíveis para o tratamento e compromisso com a saúde e com a vida e todas as suas formas e possibilidades. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Com muitas famílias e com muitos usuários acompanhei a retomada da vida a partir de terem tido acesso a este tipo de cuidado que se mantém além dos momentos de crise e que também se mantém durante e após as internações quando estas são necessárias. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Infelizmente não é fato que a medicação traga a garantia de estabilidade, pois se fosse nem haveria discussão, já que todo serviço de saúde sério não rejeita a utilização de qualquer recurso que contribua com a redução do sofrimento e com o fortalecimento e potencialização da vida de seus usuários. Os CAPS  - Centros de Atenção Psicossocial - contam com trabalho interdisciplinar e além e junto com a medicação contam com recursos diversos de cuidado para seus usuários e familiares. Por isso acolhem e acompanham não só nas crises, mas desenvolvem um trabalho no qual cuidar é também estar junto e construir formas de lidar com as condições concretas de vida...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Não há uma campanha contra internações, mas sim uma luta por formas de cuidado e de vida dignas para qualquer cidadão. A lei prevê   que se crie uma rede de serviços na qual todos os recursos sejam disponibilizados, mas sempre a serviço do cuidado, da redução do sofrimento e do fortalecimento da vida. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ainda há gente morrendo em hospitais e clínicas, ainda há gente que vive, mora em hospitais, ainda há gente que nos procura no trabalho pedindo para &apos;levar&apos; seu parente para algum lugar. E ficamos muito felizes por já podermos oferecer ajuda, não levando o parente para longe, mas cuidando e construindo junto com eles, usuários e familiares, a possibilidade antes desconhecida de poderem viver juntos e bem, ainda que com  momentos tensos, como &apos;acontece nas melhores famílias&apos;. E fazemos questão de acompanhá-los durante as internações quando acontecem, além de batalharmos pela oferta de acolhimento noturno ou eitos em hospitais gerais para que estas internações possam acontecer de forma breve, perto de casa e da equipe que cuida e não provoquem uma ruptura nos tratamentos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Falta informação correta e clara. Há muito a dizer e esclarecer sobre a citada lei e sobre as formas de cuidado propostas, sendo impossível aqui desfazer a confusão e os grandes e graves equívocos apresentados no artigo publicado.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Se é real a preocupação com as pessoas e famílias que sofrem e se  também é real a intenção de contribuir com a construção de formas de cuidado adequado em saúde mental, reforço o convite para ampliar este debate com novos espaços para publicação de informaçãoes completas, exemplos de situações reais e tanto mais que há a discutir e apresentar nessa área. É um debate bem vindo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;E que a poesia e com ela as outras partes e manifestações tão lindas do nosso poeta possam de novo ser vistas, pois ainda contamos com a arte para nos ajudar a viver e a ver a vida de outras formas que não tão duras.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Andréa Romanholi&lt;br /&gt;&#13;&#10;Militante do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mestre em psicologia e trabalhadora de saúde.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;  </description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Andréa Romanholi</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>Caro Ferreira, a passionalidade de seu depoimento foi acompanhada de inumeras informações que você deveria rever, por sua incorreção. A extinção dos hospitais psiquiátricos representa uma construção histórica na qual milhares de pessoas estão engajadas, entre elas, familiares e usuários.&lt;br /&gt;&#13;&#10; Eu participei da intervenção de um hospital psiquiátrico em Sobral que tinha, sim, celas fortes, na qual os pacientes ficavam a tarde toda em um pátio sem água, e por 15 minutos tinham direito a um &quot;bica&quot;d&apos;água pela qual lutavam desesperados, pois ficavam embaixo do sol quente de Sobral, Ceará.  Enquanto isso, o dono do hospital tinha um parque aquático vizinho ao mesmo hospital! As condições sub-humanas infelizmenteainda existem em muitos desses espaços, nos 38.000 leitos que ainda sobram. Veja bem, extinguir internações em hospitaismpsiquiátricos não significa extinguir as internações psiquiátricas. Há experiências de leitos psiquiátricos em hospitais gerais bem sucedidas. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Não desconsidero seu sofrimento como familiar, mas apenas o questiono, que, como figura pública que você é, deveria ter mais cuidado e informação com o uso das palavras, que podem ser devastadoras e minar uma luta na qual tantas pessoas estão envolvidas. Luta por cidadania, melhores condições de cuidado e inclusão social da loucura, o que inclui também cuidar dos familiares que se sobrecarregam com situações dramáticas. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Espero que o senhor aceite o convite que diversas pessoas estão lhe fazendo e conheça experiências importantes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Boa sorte com seus filhos, &lt;br /&gt;&#13;&#10;Maria Gabriela Curubeto Godoy&lt;br /&gt;&#13;&#10;Médica Psiquiatra de Fortaleza/Ceará&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por mgc.godoy</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>TEXTO SUJO PARA O POETA DO POEMA SUJO&lt;br /&gt;&#13;&#10;ESCUTA, FERREIRA GULLAR!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Que é isso FG? A quem você está servindo FG? Será que você, FG, está falando a verdade? Acho que não! Qual o porquê dessa raiva? Será que você terá coragem para refazer tudo o que escreveu? E, inclusive, FG, você está completamente desinformado:&lt;br /&gt;&#13;&#10;1.&#9;Não foi em Bolonha, mas, em Trieste&amp;#059;&lt;br /&gt;&#13;&#10;2.&#9;Foi Franco Basaglia, o psiquiatra italiano, a quem você, FG, se refere&amp;#059;&lt;br /&gt;&#13;&#10;3.&#9;Será que não estão cochichando no seu ouvido, FG? &lt;br /&gt;&#13;&#10;4.&#9;A Lei 10216, foi uma conquista nossa, em especial, dos familiares, dos usuários e dos técnicos. Tive um filho internado, faz mais de vinte anos e vi o que é um hospital psiquiátrico por dentro. Sei do que estou falando e, se falo é por experiência própria. Aqueles lugares eram muito, muito ruins. O que meu filho e eu presenciamos, era dramático: portões, portas, grades, cadeados, violência do atendente despreparado, falta de higiene e de privacidade (privadas sem portas), excesso de medicação (impregnação), camisa de força química e física, cárcere privado, até mesmo, pasmem, de crianças com menos de dez anos. Isso tudo, caríssimo poeta, eu vi! Isso tudo, não é literatura, é legítimo! Foi testemunhado por mim! Veja bem, senhor FG, não tenho nenhuma pretensão de criticar ao profissional que lá trabalha, desde o psiquiatra, até ao faxineiro. Será que você nunca ouviu falar disso, FG? Graças às nossas denúncias, tudo isso está deixando de existir (mas, ainda existe, FG, infelizmente). &lt;br /&gt;&#13;&#10;Prezado senhor FG, cresci muito como pessoa, durante todos estes anos, repito, mais de vinte. Aprendi com os usuários, familiares e com profissionais, de cada um deles, um pouco... Consegui livrar meu filho das garras do hospital psiquiátrico. Será que você fez o mesmo? Por acaso você abandonou sua posição de poeta consagrado, para dedicar-se aos seus filhos? Porque eu o fiz! Joguei tudo para o alto, minha posição de executivo, a fim de estar ao lado de meu filho, para quaisquer circunstâncias. Sei que a sua posição de poeta consagrado, carrega o peso da fama e, acaba-se deixando tudo o mais, de lado, para sustentar-se essa posição. Mas, como você deve saber, tudo o que é sólido, se desmancha no ar. Responda-me, com sinceridade, poeta, o que é mais importante para você, a poesia ou seus filhos? O que você fez, para livrar seus filhos do hospital psiquiátrico? Talvez não haja feito nada, porque você, é poeta. E poeta, escreve poesias, não é FG? Você colocou a poesia acima de seus filhos! Você deve ter feito o que todos fazem. Até eu agi assim um dia, achando que o lugar para se tratar uma doença mental era, exatamente, o hospital psiquiátrico, porém, isso, antes de tomar consciência de que, o hospital psiquiátrico não trata, somente contém. Assim que percebi o que era aquele lugar de não-tratamento, tirei-o de lá, imediatamente. Essa é uma história que, eu poderia contar-lhe, um dia... Jamais aceitei o hospital psiquiátrico, nem o aceito até hoje, passados quase, vinte e cinco anos, senhor FG, por mais moderno que este possa parecer. Meu filho, após eu retirá-lo do hospital, vem sendo tratado com êxito, nos serviços abertos, substitutivos ao hospital psiquiátrico, CAPS-Centros de Atenção Psicossocial, fazendo uso de medicação de última geração, toda ela, fornecida pelo SUS. Esse seu texto é muito ruim, muito amargo, muito radical e raivoso. Até consigo entender, pois, de fato, não é fácil. Não posso afirmar que, em todos estes anos, não tivemos altos-e-baixos, mas afirmo, com total segurança que, em todos os momentos de crise, fomos carinhosamente acolhidos e tratados, com o mais profundo respeito e, por uma equipe multidisciplinar. Estamos pasmos com a distorção que o senhor coloca em seu texto! Você detonou tudo, FG, entretanto, saiba que, essa é uma linda história de milhares de pessoas, dos mais distantes rincões deste imenso país e, de todas as camadas sociais. A saúde mental no Brasil, mundialmente reconhecida, serve de modelo para muitos outros países e, sem dúvida, está mudando para melhor. Caro FG, se me permite lhe dar um conselho, aí vai: Se os seus filhos ainda estiverem internados, mesmo que, em uma clínica particular para famílias de posses, mesmo assim, tire-os, imediatamente! Abandone a poesia e trate-os, você mesmo! Perca o medo, FG e conviva com seus filhos! Garanto que irá aprender muito com eles. Sabe qual é a receita FG? É AMOR! &lt;br /&gt;&#13;&#10;Portanto, senhor FG, sou imensamente agradecido por tudo o que o SUS, acrescido dessa Lei, que o senhor trata por idiota, fizeram por meu filho. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Geraldo Peixoto&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Geraldo Peixoto</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>Saliento que o que falta no Brasil e, particularmente, no Estado de São Paulo e na nossa capital aprofundar o modelo focado no convívio comunitário, intersetorial, interdisciplinar, que inclusive coloca a possibilidade dos então internados a conviverem em Residências Terapêuticas ou terem um período de internação, se necessário. Esta internação deve ser nos CAPS do tipo III ou em Hospital Geral com leitos psiquiátricos de referência aos ambulatórios, CAPS e Residências Terapêuticas. Seria importante pensarmos na prevenção e promoção em Saúde Mental na Estratégia de Saúde da Família e nas Unidades Básicas de Saúde, num trabalho conjunto e coordenado, em rede com as demais unidades. Como está a Saúde Mental na Estratégia de Saúde da Família e nas Unidades Básicas de Saúde?&lt;br /&gt;&#13;&#10;O modelo criticado pelo autor precisa com certeza ser aprimorado, mas a defesa da manutenção ou criação de Hospitais Psiquiátricos somente beneficiam os interesses privados, que estão sedentos para voltarem a receber os recursos do Sistema Único de Saúde ¿ SUS. Com certeza a Saúde Mental mobiliza muito a família, o paciente e a comunidade em que esses estão inseridos. Mas romper os paradigmas, os estigmas causados pelo sofrimento psíquico são feitos por meio da sensibilização social e atenção integral no paciente ao seu meio, com os atores sociais e instituições num trabalho conjunto e coordenado pelo poder público Nacional, estadual e municipal.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ao âmbito privado, cabe a liberdade de escolha ao tratamento que convier, ao poder público cabe garantir Políticas Públicas, discutidas junto à população, usuários e trabalhadores da saúde para garantia dos interesses coletivos e públicos. Inclusive cabe ao Estado fiscalizar, regular e avaliar os serviços privados de saúde, que devem seguir as diretrizes do Sistema Único de Saúde. O bom e velho ¿O Alienista¿, de Machado de Assis, continua atual e necessário para compreendermos as contradições e necessidades de entendermos o processo de Loucura como um sofrimento e como a Sociedade lida com este, com suas contradições e avanços, sempre trazendo junto os pacientes e familiares no processo terapêutico e de convívio comunitário. Comparar hospitais psiquiátricos a presídios é mais do que processo ideológico, mas sim reiterar o processo técnico, comunitário e social de compreender e lidar com a loucura no centro da sociedade e não às suas margens. A Saúde Mental se constrói com todos os profissionais de saúde (psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, enfermeiros e outros), com familiares, usuários, comunidade e gestores, com as informações, serviços e recursos comunitários existentes, criar os necessários e  sempre articulá-los a responderem às necessidades de saúde da população e não de interesses de grupos corporativistas ou privados.  &lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Fábio Souza Santos, psicólogo, vice-presidente do Sindicato dos Psicólogos de SP e Conselheiro Municipal de Saúde de SP.</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Fábio Souza</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios">
  <description>REFLEXÕES PARA O PAI/POETA &lt;br /&gt;&#13;&#10;Caro poeta, você está passando pelo que todos nós já passamos. Isto não é exclusividade sua. Só o que tenho a lamentar é que, ainda não tenha se encontrado... Você, como bom virginiano, como eu, deveria estar mais atento e informado. Não me parece possível que até hoje, desconheça os avanços que temos alcançado e o reconhecimento obtido com a nossa lei de reforma psiquiátrica. Nestes meus vinte e sete anos de buscas e procuras, com relação ao meu filho, esquizofrênico, tudo, sem o menor resultado, passei por todas essas etapas, das quais você fala: hospitais particulares&amp;#059; clínicas, idem&amp;#059; hospitais públicos&amp;#059; médicos particulares e, por isso sei, o quanto dói a um pai, ou, no meu caso, uma mãe, ter que internar um filho.  Quando o internei pela primeira vez, ele estava com vinte anos, hoje, tem quarenta e sete. Foi só depois que, o institucionalizei, como ele diz, querendo significar com isso, que comecei a tratá-lo nos CAPS, foi que pude encontrar um chão, onde pudesse me equilibrar. Passamos mais de vinte anos, a andar em círculos, como você parece estar, ainda. Até que, no ano de 2003, num de seus piores surtos, a conselho de amigos psicólogos e psiquiatras, procurei ajuda num CAPS, tratamento no qual, como você, eu absolutamente, não acreditava, pois, nas inúmeras internações, naturalmente, involuntárias, que ele havia sofrido, eu sempre tive que  chamar uma ambulância, que vinha  acompanhada da polícia. Por essa razão, não via como pudesse levá-lo a ser tratado em um dos serviços abertos. Internaram-nos a nós ambos, ele e eu, no CAPS III de nossa cidade, onde permanecemos por vinte e três dias. Foi exatamente ali que começou a grande transformação, a nossa mudança... Inicialmente, aquela experiência, me pareceu terrível, mas, foi somente a partir dela que, pudemos nos reconciliar e voltar a ser  mãe e filho.  Hoje posso dizer, após tudo isto, sem o menor resquício de medo, que o que veio depois, foi um verdadeiro milagre. Mal posso acreditar que, durante estes últimos seis anos, meu filho passou a aceitar livremente, a medicação prescrita por sua médica psiquiatra e, inclusive, vai às suas consultas, sozinho e, por sua livre e espontânea vontade. &lt;br /&gt;&#13;&#10;A gente acaba por aprender que o bolo, tem que ser feito, sem receita alguma (coloca-se mais um ovo, um pouco mais de leite, menos farinha, etc.), como dizia nosso amigo, o psiquiatra Jairo Goldberg.  É o método da experiência, da tentativa e do erro, É um caminho, sem setas indicativas. É um arriscar-se, um salto no escuro...&lt;br /&gt;&#13;&#10;Caro poeta, você me passa a impressão de estar perdido, como uma nau sem rumo, dependendo exclusivamente, da correnteza, mas, insisto:  Não desista! A doença mental é uma incógnita, Ferreira Gullar, sempre a nos surpreender. Portanto, a única certeza que podemos ter, é a certeza da desordem e do inesperado. E, é com isto, que precisamos conviver... &lt;br /&gt;&#13;&#10;Boa sorte Ferreira Gullar&lt;br /&gt;&#13;&#10;Dulce Edie Pedro dos Santos  &lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Dulce</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Sou Márcia MontAlverne, Terapeuta Ocupacional, trabalho no CAPS II de Sobral - Ceará há 10 anos. Aqui predominava o modelo hospitalocêntrico manicomial que NUNCA teve compromisso com o cuidado em saúde mental, pelo contrário, produziu dívidas existenciais impagáveis.. De lógica marcantemente lucrativa, foi um exímio sequestrador de identidades e causou muitas mazelas aos usuários lá internados. Felizmente a casa de horrores (ironicamente chamava-se casa de repouso Guararapes) foi fechada em 2000 e em seu lugar foi implantada uma Rede de Atenção Psicossocial, composta por diversos dispositivos, que estão oferecendo uma atenção de qualidade, humanizada e integral. Uma Rede que está possibilitando um novo lugar social para a pessoa com transtorno mental. Este ano, eu e a professora Maria Salete Bessa  estaremos  lançando um livro (nesse semestre) sobre a história da saúde mental e da Reforma Psiquiátrica em Sobral-CE: Os Relatos dos usuários são impressionantes. No livro estão evidenciadas (mediante os discursos de usuários assistidos nos dois modelos, familiares e trabalhadores da saúde participantes da minha pesquisa), as características predominantes nesses dois modelos (hospitalocêntrico e o psicossocial).&lt;br /&gt;&#13;&#10;Interpreto o conteúdo escrito por Ferreira Gular como um desabafo de um pai &quot;cansado&quot;, &quot;sofrido&quot; da luta árdua com os filhos que apresentam transtornos mentais. E de fato não é fácil essa convivência, é um desafio diário, é uma grande arte. A boa notícia é que existem serviços de saúde mental que dão respostas efetivas no enfrentamento do transtorno mental, tais como: CAPS, Unidades de Internação Psiquiátrica em Saúde mental, enfim dispositivos compromissados com o cuidado de qualidade e humanizado.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Obrigada pela oportunidade em realizar o comentário</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Márcia MontAlverne</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Prezado Poeta Ferreira Goulart,&lt;br /&gt;&#13;&#10;É com grande respeito e deferência ao artista que é, como também à sua obra, que me sinto convocada a lhe escrever o que segue: &lt;br /&gt;&#13;&#10;A beleza de sua arte, a exemplo da poesia acima (Traduzir-se), nos faz imaginar a importância da poesia em sua vida, em seu equilíbrio.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sabemos também que a arte atende não só ao artista, mas a todos nós que podemos atestá-la e aí nos reconhecer.&lt;br /&gt;&#13;&#10; É por esse motivo que a prezamos e somos tão agradecidos aos artistas...&lt;br /&gt;&#13;&#10;Os CAPS (Centro de Atenção Psíquico Social), além do grande avanço já bastante comentado nos textos dos colegas acima, parte da principal aposta de que ao ofertarmos variados recursos de expressão, e também, no respeito a toda forma que elas possam vir a ter, com isso contribuir no sentido de que, podendo lançar mão de outras ferramentas, esses sujeitos loucos não precisam mais ficar tão reféns de suas medicações, delírios e alucinações.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Reconhecemos nesses sujeitos, o mesmo que reconhecemos nos artistas, porém de uma forma não simbolizada, mas prenhe de toda tragicidade humana. Esse é o motivo que nos faz acreditar não ser o isolamento dentro de um hospital, o melhor lugar para pessoas que apenas lidam apenas de forma diferente, e com outros recursos, com as mesmas questões que lidam os artistas e todos nós.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Seus delírios expressam no real, o que os artistas mostram com suas artes e os neuróticos simbolizam com seus sintomas. Assim, acreditamos que o melhor tratamento para esses sujeitos, é ajudá-los a fazerem uso de outras formas de expressão mais aceitas em nossa sociedade, e assim poderem construir laços sociais. Isso, porém, só é possível no exercício da liberdade e no reconhecimento de seus direitos enquanto cidadãos e sujeitos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Reitero aqui o convite dos demais colegas para que possa conhecer de perto um CAPS na certeza de que entenderá o que aqui tentamos lhe transmitir.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Respeitosamente ao Poeta, Pai e Homem,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ana Maria Domingues Carvalho&lt;br /&gt;&#13;&#10;Psicanalista e Coord. do CAPS Cidade-Vitória ES&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
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  <title>Comentário postado por ana carvalho</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Meu nome é Rodrigo de Souza Leão e sou a favor dos manicômios. Falo isso de dentro da doença. Sou esquizofrênico. Tenho um livro publicado chamado TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS, Ed. 7Letras. Acho q há doentes crônicos. Há crises. Há gente que não tem família. Entendo o Ferreira Gullar e chorei depois de ter lido seu texto. Por q? Eu já sabia que ele tinha filho doentes e dizia q ninguém sabe como o pai se sente quando tem q internar o filho. Entendi meu pai, minha mãe. Acho q hospício não pode acabar. Tem q ser remodelado. Reestruturado. Como cuidar de alguém q está quebrando tudo em casa. Q o convívio é impossível. Entendo o Gullar. Grande poeta. GRande homem. Corajoso. O q não podia haver é um modelo antigo, sem terapia de grupo, sem terapia comportamental cognitiva. Não deveriam ser misturados oligofrênicos com doentses que passam por um surto. OS em surto voltam. Os Oligofrênicos não voltam. Ficam naquele mundo. Me digam onde ficam os loucos mendigos sem família? ACho q todos os que mudaram e estão na luta antimanicomial são heróis, mas meu pai me internou e é meu herói. Gullar é meu herói. O manicômio como tá  aí é uma merda, tem q ser mudado. Como mudar e o q mudar é que é a questão. Vamos nos unir ao invés de nos dividir.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Rodrigo de Souza Leão&lt;br /&gt;&#13;&#10;escritor&lt;br /&gt;&#13;&#10;aposentado desde os 23 anos por esquizofrenia paranóide&lt;br /&gt;&#13;&#10;detesto hospício</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Rodrigo</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Escrevi&lt;strong&gt;um texto - até politicamente incorreto, pq brinco com a palavra &quot;louco&quot;, em vez de usar o doente mental. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Tenho até receio de dizer o que penso. Mas...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;http://tampadolixo.blogspot.com/2009/04/manicomio-nao-e-comigo-mas-que-o.html&lt;/strong&gt;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por rose marinho</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Olá a todos, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;viram a nova crônica sobre o tema, entitulada &quot;A sociedade sem traumas&quot;, que saiu na Folha em 26 de abril de 2009?? Está aqui no Portal Literal também, onde todos podem ler.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Escrevi um comentário sobre ela também, que reproduzo aqui:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Destaco, novamente que não há objetivo de condenar e inviabilizar internações: não quando elas são necessárias - e sabemos que há estes momentos- não quando elas têm como objetivo cuidar, tratar e contribuir com a vida das pessoas, usuários dos serviços e seus familiares. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas somos contra, sim, à divulgação da idéia incorreta de que as internações são a saída única ou a solução para todos os casos e em todo e qualquer momento, ou quando se aceita que as pessoas devam ou possam viver internadas para sempre.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;As internações podem ser feitas em leitos de atenção integral, que sejam em hospitais gerais, em CAPS III, ou outros. A regulamentação da lei cria dispositivos que permitem construir uma rede de serviços que contempla as necessidades diversas para momentos diversos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;E somos, sim, contra os manicômios, entendidos no seu mais amplo sentido, desde os prédios e serviços que servem ao propósito de excluir e manter excluídas pessoas que já sofrem por seus problemas até a idéia ampla de manicômios como denominação para a mentalidade manicomial chamada assim por naturalizar a proposta dos manicômios, da exclusão  como resposta aceitável para as pessoas e seu suposto tratamento. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por fim, a psiquiatria democrática foi um movimento da Itália, que nos inspira, sim, mas não ao ponto de adotarmos esta denominação, uma vez que como tudo na vida, tem uma história própria que não é a mesma do Brasil e da nossa psiquiatria.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas por vários motivos este adjetivo é pertinente para o que propomos: a psiquiatria avança, mas não chegou ao ponto de poder falar das &quot;verdadeiras causas das doenças mentais&quot;!!! &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;E, a história mostra que os hospitais psiquiátricos foram, sim, usados - e deixaram que fossem usados - para punir, excluir, violentar pessoas por motivos diversos que não o sofrimento por um problema real. Isso pode ser visto em filmes de todo o mundo, não são os brasileiros e italianos os únicos que apontam estes usos e desusos feitos a partir da existência de tais espaços.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Para esclarecer: o termo transtorno foi e é adotado pela própria psiquiatria que na última versão de sua Classificação internacional de doenças (CID 10) preferiu adotar uma postura apenas descritiva e pragmática para descrever os problemas mentais, justamente por não haver consenso teórico e sim várias teorias sobre as causas destes problemas. Foi por assumir essa imprecisão teórica que o termo transtorno surgiu, pois ele pretende apenas descrever o conjunto de sinais e sintomas de cada transtorno nomeado e classificado ali, sem defender nehuma teoria subjacente sobre as causas. Logo, esse não é um termo criado e nem adotado por nós.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abraços e um renovado convite a vir conhecer, de fato, as propostas e ações construídas por muitos que acreditam e agem na luta antimanicomial e que acreditam sim que uma sociedade melhor é possível, uma sociedade sem manicômios, reais, mentais, visíveis ou invisíveis.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Andréa&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Andréa Romanholi</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Gostaria de fazer duas correções de Atos Falhos cometidos por mim no texto enviado de 24/04/2009&amp;#059;&lt;br /&gt;&#13;&#10;1º-  o sobrenome do Poeta é Gullar e não Goulart.&lt;br /&gt;&#13;&#10;2º- CAPS é Centro de Atenção Psicossocial e não Psíquico Social.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Desculpem-me, apesar de até compreender  o porque dos atos falhos, só pude verificá-los dias após o envio do texto acima. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Ana Carvalho - Vitória ES</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por ana carvalho</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Uma parte da lei é excelente, outra parte é muito ruim. Você tem razão quando diz que às vezes somos obrigados a internar nossos entes queridos, porque eles se matam ou nos matam. Os delirios os levam a passar ao ato. Nesses momentos de crise  nos desconhecem e se desconhecem, seria bom ter onde os colocarem a salvo. Em 1932, Lacan em sua tese de doutorado, &quot;Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade&quot; escreveu, entre outras coisas, que foi uma pena que Aimée não tivesse sido internada antes que numa passagem ao ato agredisse com uma faca uma atriz na porta de um teatro na França. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Com a reforma psiquiatrica surgiram os dispositos  denominados Centro de Atenção Psicossocial - Caps. Os Caps III são para internação do paciente por 7 dias corridos ou 10 intermitentes. Mas, o fato é que  existem pouquissimos Caps III e a população que tem sofrimento psiquico grave e às vezes corre ou coloca outro em risco é muito grande. Sua luta é nossa luta. A lei é necessária, porém,  não é suficiente. A luta continua, devemos lutar sempre para  nos qualificar e melhorar cada vez mais os dispositivos.</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Soneide Lima</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Gostaria de deixar registrado que não sou contra a luta antimanicomial! Sou a favor da humanização do tratamento! Desde 1978 venho acompanhando o movimento da saúde mental e apesar dos vários dispositivos pouco se avançou e sabe Deus qual é a causa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em 1994 Jairo Goldberg escreveu &quot; Pensamos que a discussão de alternativas institucionais de atendimento para a  psicose e neurose grave não se inicia pela decretação pura e simples da falência dos hospitais e ambulatórios, em nome da suposta apreensão imediata do doente num contexto psicossocial. Pois o acompanhamento atento e minucioso das estratégias terapêuticas colocadas em prática nessas intituições se demonstra extremamente útil na avaliação da própria possibilidade institucional de enfrentamento da doença e, sobretudo, na compreensão mais profunda desta. E os efeitos perversos que se verificam nos hospitais e em suas estruturas de apoio nos alertam para o fato de certos regimes de comportamento institucional, que há muito assimilaram a doença e a dissolvem na funcionalidade de seus procedimentos, requerem esforço de mudança muito mais penetrante do que a pura e simples supressão formal do hospital. Porque tais efeitos podem muito bem se reproduzir em instâncias extra-hospitalares, caso não se alcançe a raiz desses comportamentos institucionais. Parece-nos mais aconselhável, nesse sentido, desmobilizar o aparato em cada um de seus mecanismos mais internos de apreensão da doença, com o que estaríamos visando o cerne da degradação institucional, e não uma figura abstrata de Insttuição.&quot; Assim na integra na página 28/29 do livro &apos;Clinica da psicose - um projeto da rede pública&apos;. &lt;br /&gt;&#13;&#10;É hora de nos unir como disse mais acima Rodrigo de Souza Leão. No Rio de Janeiro temos um Hospital, cujo nome não me lembro agora, que fica na Praça da Harmonia, cujo trabalho é bélissimo, com um grupo de nome Harmonia Enlouquece que inclusive já gravou CD. Temos o IPUB e o Pinel! É logico que existem lugares que não são dignos de terem existido! Infelizmente existiram, e continuam existindo. assim como temos três bons hospitais de internação que servem de referência como um bom lugar de vida. De promoção da vida, mas que não atendem a demanda do Rio de Janeiro inteiro. Ainda encontramos  muita gente despreparada como disse Dulce Edie. Por isso insisto ainda falta muito a ser feito.&lt;/strong&gt;</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Soneide Lima</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Acho que criticar é fácil viver é muito dificil, Infelzimente a lei 10216, pode ter sido muito boa para alguns os 10 % de doentes mentais em todo o país que conseguem uma vaga em CAPS e serviços substitutivos, a tal integralidade  proferida e  determianda pelo SUS  não existe, há sim uma marginalizaç~çao da doença mental frente um ufanismo insano de alguns profissionais  que utam na  famosa  reforma antimanicomial, bom se ficar 20 ou 30 anos é  errado ficar depedente de um CAPS 10 8 ou mais anos também [é desumano, também é cronificador. Isso sintetiza o que Valentim Gentil ( também marginalizado, criticado coloca) saimos de um modelo hospitalocentrico para um modelo CPASCENTRICO. Falar enquanto profissional é fácil, assim como usário de CAPS. outro problema que a lei traz é quanto o conceito de doença mental, que sintetizou doença mental apenas comod ependencia quimica e esquizofrenia,  os demas é considerado como piti.. Absurdos acontecem e na medida do possivel eud enuncio, sou amrginalizada e meu livro sobre o assunto foi quase proibido na minha cidade ( JUiz de Fora), e acrescento mais Franco Basaglia não fez  a dita reforma psiquiátrica pensando nos  coitadinhos dos doentes, mas im na sua postura e condição política comunista da época, tal como Faucoult. Estudar filosofia as vezes ajudaria esses utopicos da reforma  psiquiátrica  a se situarem e não fazerem tantas asneiras e sair come ssa veborragia   mentirosa, pois so quem ve os dois lados, tres ( familia usuario e profisional) é capaz de dizer al certo se é bom ou não. E tendo essa condição eu digo. NÃO ESTÁ NADA CERTO DESSA POLÍTICA, É RIDICULA E SO PRIVILEGIA UNS, e acrescento que os profissionais que lutam   por essa politica tem duas características: desconehcem tudo e precisam trabalhar por isso fazem isso, e outros querem aparecer  ser mais do que todos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Para finalizar digo que exclusão reu sou contra, assim como cronificação, logo há como mudar sem fechar hospital. e deixo duas reflexões: que ressocializar é este que o doente so convive com propfissionais e outros doentes, em que centro de convienvia ( em substituição ao hospital psiquiatrico) so recebe esquizofrencios ? e por ultimo e pacientes com problemas  cardiacos de neoplasias que ficam dois, tres, seis ou mais meses no hospital, voces farão a luta anti-internação tb?</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Lilian Gonçalves</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Sr. Ferreira Gullar,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Gostaria de agradecer há mostrar o lados das famílias de doentes, e mostrar a dificuldade da família em lidar com o problema, meus pais são idosos e doentes e tenho um irmão que é esquizofrênico, eles não tem como cuidar dele, ele se nega a tomar remédios, é rebelde e agride eles e eu larguei a faculdade para ajuda-los mas não vejo como possamos ter uma vida &quot;normal&quot;, vejo minha mãe cada vez pior, pois parte das doenças delas é pelo estresse do dia a dia da vida que vivemos, será que eu não terei vida própria enquanto estivermos com esse problema, o meu irmão não vai ficar bom do dia para a noite, não há uma pílula que cure a doença dele, sempre haverá dias bons e ruins, e não temos controles deles, mas como farei, um dia acabarei meu curso, meus pais morrerão e quem cuidará do meu irmão?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;É muito bonito o médico dar alta para ele e disser que ele está melhor, mas não está, melhora uma semana e volta para a rua para deixar os cabelos da minha mãe mais brancos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Obrigado e conte com minha ajuda na luta de mostrar o lado da família que fica tão doente ou mais que os doentes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Quando as leis atingem as famílias e pessoas de bem temos o dever de levantar a voz e reclamar.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abraços&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Rodolpho</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Rodolpho Marinho</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>Desculpe os erros de português, mas estava muito nervoso e foi um momento de desabafo.</description>
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  <title>Comentário postado por Rodolpho Marinho</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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  <description>FAZEM 28 ANOS QUE FAÇO TRATAMENTO PSIQUIÁTRICOTIVE ALGUNS SURTOS MAIS GRAVES,FORA ISSO,BASTA QUE EU TOME MEUS REMÉDIOS SERTINHOS,SOU UMA PESSOA NORMAL COMO QUALQUER UM,TANTO QUE ESTOU PARTICIPANDO DO PORTAL LITERAL.POR ISSO EU DIGO:ABAIXO OS MANICOMIOS QUE SÓ NOS ESTIGMATIZAMMUITO OBRIGADO!</description>
  <link>http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada#comentarios</link>
  <title>Comentário postado por Amir Carlos</title>
  <dc:date>2009-4-13T09:44:22Z</dc:date>
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